Valorizar os servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário é valorizar a reforma agrária, a agricultura familiar e o desenvolvimento rural sustentável e solidário!
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

ASSEMDA participou de encontros no fim de semana que organizam as lutas dos trabalhadores em 2015

Neste fim de semana trabalhadores de todo o país se reuniram
em Brasília para organizar as lutas de 2015. (Foto: Auditório
lotado na reunião ampliada do Fórum de Servidores Federais).
Representantes da ASSEMDA participaram neste fim de semana em Brasília de dois importantes encontros do movimento sindical e popular  para organizar as lutas unificadas dos trabalhadores nesse começo de 2015.

Na sexta-feira (30/01) mais de 70 representantes de 40 entidades sindicais, movimentos estudantis e populares de 15 diferentes estados se reuniram no primeiro encontro do Espaço Unidade de Ação de 2015 e reafirmaram que “os trabalhadores não pagarão a conta da crise”. 

Já no sábado (31/01) e domingo (1º/02) mais de 350 pessoas realizaram a Reunião Ampliada do Fórum Nacional dos Servidores Públicos Federais (SPFs), que reúne sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais (CSP-Conlutas, CUT e CTB) da imensa maioria desse segmento de trabalhadores de todo o país, definindo a pauta, as campanhas e o calendário da campanha salarial unificada de 2015.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CNASI e ASSEMDA orientam a participar dos atos do chamado "15M" em Brasília e estados

Movimentos sociais organizam protesto para denunciar abusos da Copa

Nesta quinta-feira, 15 de maio, servidores do INCRA e MDA são orientados pela CNASI e ASSEMDA a participar dos atos organizados pelos movimentos sociais por todas capitais e principais cidades do Brasil, para denunciar absurdos na realização da Copa do Mundo, o que vem sendo chamado de 15M, e apresentar à população a sua própria pauta de reivindicações. 

As manifestações são contra os abusos sociais gerados pela realização da Copa da FIFA no Brasil e os gastos governamentais exorbitantes e suspeitos de corrupção com os mega-estádios, propaganda e festas, em detrimento da saúde, educação, desenvolvimento agrário, e serviços públicos em geral, enquanto os servidores amargam arrocho salarial, carência de pessoal e intransigência do governo federal nas negociações. 

Participação dos servidores do INCRA e MDA - Por decisão da 2ª Plenária Nacional Conjunta da CNASI e ASSEMDA, ocorrida no último dia 09/05, os servidores do INCRA e MDA deverão se incorporar às mobilizações locais do 15M e as próximas em mobilizações antes e durante a Copa, especialmente as dos dias 12 e 23 de junho. A CONDSEF orientou o mesmo em sua própria plenária no dia anterior, como parte integrante do calendário de atividades da campanha salarial para usar as atividades para apresentar à população as reivindicações dos servidores.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Solidariedade ao movimento por transporte público barato e decente e repúdio à violação do direito de protestar



NOTA PÚBLICA

Solidariedade ao movimento por transporte público barato 
e decente e repúdio à violação do direito de protestar

Em São Paulo, Rio, Goiânia, BH, Porto Alegre, Salvador e ao menos mais dez grandes cidades já ocorreram protestos de rua ou embates por causa do aumento das tarifas nos transportes públicos decretados esse mês. Na última sexta-feira (14/06) e no sábado Brasília se somou aos protestos que estão ocorrendo no país inteiro, combinando com a abertura da Copa das Confederações.

As manifestações, partidas de lideranças estudantis e que ganharam força espontaneamente pelas redes sociais, não são apenas para impedir o reajuste das passagens. Em todo o país a população tem se mostrado indignada com a inflação dos alimentos e com os gastos indecentes para a construção dos estádios da Copa do Mundo. Denunciam também a promiscuidade entre o poder público e as empresas, que são financiadoras de campanhas políticas, e também mostram que uma passagem barata e um serviço de boa qualidade não é uma utopia, pois o transporte público é obrigação do Estado e não um direito de poucos.

A tarifa de ônibus subiu 2,2 vezes acima do IPCA. Se fosse corrigida pela inflação desde a implantação do Plano Real, em São Paulo custaria R$ 2,16 e não os R$ 3,20 decretados. Enquanto isto, o salário médio não subiu no mesmo ritmo. A despesa com transporte pesa em média mais de 17% do salário do trabalhador, o mesmo gasto com alimentação. Apesar do preço, a qualidade é péssima. Essa combinação faz com que a avaliação do transporte público seja a pior desde 1987, e com cidades engarrafadas e um trânsito violento.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Na frente de parlamentares e movimentos Planejamento disse que não tem proposta ao Incra e MDA antes de 31/06

SÉRGIO MENDONÇA: "SÓ TENHO AUTORIZAÇÃO PARA APRESENTAR PROPOSTA AO INCRA E MDA EM 31 DE JULHO, MAS SE A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA MANDAR APRESENTO NO MESMO DIA"


Fonte: Ascom Cnasi Qui, 31 de Maio de 2012 19:52

A reunião desta quinta-feira (31/05), em Brasília, entre os servidores do Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com a Secretaria de Relações do Trabalho (SRT), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) teve o mesmo resultado da anterior – nada. Depois de muita pressão de servidores, parlamentares, movimentos sociais eIMG_5309_2 sindicalistas o secretário de relações do trabalho do MPOG, Sérgio Eduardo Arbulu Mendonça, foi direto e afirmou que não tinha resposta para as reivindicações dos servidores do Incra e MDA. “Só tenho autorização para apresentar proposta ao Incra e MDA no dia em 31 de julho de 2012, mas se a Presidência da República mandar apresento no mesmo dia”, firmou Mendonça, que confessou sequer ter encaminhado à ministra Miriam Belchior (MPOG) a reivindicação dos servidores – segundo ele mesmo.


De acordo com o secretário, o Governo não quer que o Incra e o MDA façam greve, mas a decisão de reestruturar os órgão, fazer concurso, aumentar o salário está em uma esfera macro, além do poder da SRT. “Não vou sequer agendar uma
IMG_5318_2nova reunião, pois se reunir para marcar novo encontro só aumenta a fama desta mesa de fazer apenas enrolação”, disse o titular da SRT.

Mendonça esclareceu aos presentes que nos últimos dias integrantes da direção do Incra e MDA estiveram reunidos com o MPOG, quando foram esclarecidas dúvidas sobre as atividades da autarquia e ministério, bem como quanto aos detalhes técnicos sobre remuneração, força de trabalho, estrutura, etc.

Como forma de aumentar a pressão no governo para atender as reivindicações dos servidores do Incra e MDA ficou acertado entre os presentes que o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) vai liderar um grupo de parlamentares que irão articular um encontro entre os ministros do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), com a Presidência do Incra e integrantes das diretoria da Cnasi, Assinagro e AsseMDA. Essa reunião ainda não tem data definida, mas deverá ocorrer em breve, em Brasília.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Dirigentes da Contag reivindicam estruturação do Incra e MDA

Dirigentes reivindicam orçamento para o desenvolvimento agrário
29/05/2012


A CONTAG teve audiência na tarde dessa segunda (28 de maio) no Ministério da Fazenda, com o secretário executivo Nelson Barbosa. Participaram o presidente da CONTAG, Alberto Broch, além de presidentes e dirigentes das Federações de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (FETAGs), assessores das regionais e técnicos da CONTAG.
Na ocasião foram apresentados os pontos centrais da pauta de reivindicações do Grito da Terra Brasil, ligados às secretarias de Política Agrária e Agrícola. “Viemos tratar sobre orçamento para agricultura familiar e reforma agrária e sobre a seca que assola as regiões Sul e Nordeste do país”, esclarece Alberto Broch. O presidente da CONTAG também analisou os índices de obtenção de terra, que estão cada vez menores, questionando a média dos últimos anos e o pouco investimento nas políticas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), justamente no ano em que foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (1ª CNATER): “Os governos anteriores acabaram com a ATER e com o Crédito Fundiário. Quando conseguimos construir uma nova lógica, nos falta orçamento”.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais uma segunda-feira com paralisações no Incra e MDA por todo o Brasil

Ascom Cnasi | Ter, 22 de Maio de 2012 20:21
AM_mobi_5_2Em mais um dia de mobilizações e paralisações os servidores do Incra e MDA voltaram, nesta segunda-feira (21/05), a exigir do governo o atendimento de suas reivindicações – entre as quais, a recomposição do quadro de pessoal com a realização de concurso público; e melhoria dos padrões remunerativos dos profissionais dos órgãos. As atividades desta segunda foram deliberadas durante a Plenária Nacional da Cnasi (realizada em 26 de abril de 2012), que contou ainda com a presença de integrantes da Assinagro e AsseMDA – as decisões deste evento foram ratificados por essas entidades.
  
Considerando que estão no caminho certo, as direções da Cnasi, Assinagro e AsseMDA convocam suas bases a manterem as atividades de paralisações e mobilizações nos dias 28 e 31 de maio de 2012 – sendo que neste último haverá vigília em todo o País à espera do resultado da reunião com o MPOG. As entidades convocam ainda as bases para realizarem paralisações e mobilizações também no dia 4 de junho de 2012, quando em Brasília vai ocorrer o Encontro Nacional de IMG_4189_2Entidades Representativas do Incra e MDA. Neste evento – que terá delegados eleitos em assembleias de servidores pelas bases da Cnasi, Assinagro e AsseMDA –, deverá ser definido o indicativo de greve, caso o governo não atenda as reivindicações dos profissionais dos dois órgãos.

As mobilizações e paralisações dos servidores do Incra e MDA têm surtido efeito tanto na base – que se sente, em sua maioria, coesa para lutar pelas suas reivindicações –, bem como nos profissionais de outros órgãos públicos, que buscam apoio das lideranças da autarquia e do ministério para ampliar o nível de adesão entre os seus colegas.

Neste dia 21 de maio de 2012 não foi diferente na Sede e nas superintendências regionais, bem como nas delegacias do MDA. Em Brasília, tanto na Sede como na SR-28, houve grande adesão ao movimento de paralisação. Na Sede do Incra os servidores da autarquia (técnicos, analistas e agrônomos) e do ministério mantiveram-se durante boa parte da manhã emIMG_4170_2frente da entrada principal do Edifício Palácio do “SUBdesenvolvimento” (depois da renomeação), onde tomaram café da manhã, fizeram piquete, entregaram panfleto, deram informes, fizeram análise de conjuntura. O prédio ficou praticamente vazio durante todo o dia e sem atividades importantes, pois quem não estava na paralisação decidiu não vir trabalhar. Ao final da manhã os servidores decidiram em assembleia irem ao gabinete do ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, na Esplanada dos Ministérios.

FETRAF ocupa Ministério da Fazenda - Nota a imprensa

Com 400 agricultores familiares, a FETRAF-BRASIL ocupou às 6h15 da manhã o Ministério da Fazenda. A ação é motivada pelo descaso do governo federal no processo de negociação na VIII Jornada Nacional de Lutas da Agricultura Familiar
COMUNICADO À IMPRENSA:

<<DESCASO DO GOVERNO FEDERAL GERA INDIGNAÇÃO NOS AGRICULTORES FAMILIARES>>
O tratamento do governo federal aos trabalhadores da agricultura familiar durante o processo da Jornada Nacional de Lutas da FETRAF-BRASIL causa indignação na categoria.
Nas negociações iniciadas na primeira semana de maio, nada de concreto às reivindicações foram apresentadas e os ministérios de centro do governo como Planejamento, Casa Civil e Fazenda nem o compromisso de atender aos trabalhadores em audiências cumpriram.
Este ano, a FETRAF-BRASIL apresentou e propôs ao governo nova metodologia a ser desenvolvida durante o período de negociação.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Servidores do Incra e MDA fazem novamente mobilizações e paralisações por todo o Brasil

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MA_DSC03050_3Os servidores do Incra e MDA mostraram novamente, nesta segunda-feira (07/05), que estão decididos a enfrentar tudo para defender suas reivindicações. Isso, porque houve paralisações e mobilizações dos profissionais dos dois órgãos por todo o Brasil. Do Rio Grande do Sul ao Amapá, de Pernambuco ao Mato Grosso do Sul os servidores fecharam o Incra e MDA, fizeram piquetes, mobilizações, debates, discussões sobre os problemas dos órgãos, bem como as possíveis soluções, com destaque para a melhoria dos padrões remunerativos.
 
As paralisações e mobilizações foram realizadas em atendimento às deliberações da Plenária Nacional da Cnasi, que elegeu os dias 7, 14 e 21 de maio de 2012 como datas marcantes para os servidores lutarem, “contra o desmonte do Incra no Governo Dilma e pela apresentação de proposta concreta para os servidores do Incra/MDA”. A Plenária – que ocorreu em Brasília, no dia 26 de abril de 2012 –, definiu ainda que no dia 21 haverá na capital federal um Encontro Nacional de Entidades Representativas do Incra e MDA, no qual definirá o indicativo de greve dos profissionais dos dois órgãos, caso o governo não apresente resposta às reivindicações da categoria.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Incra e MDA paralisam atividades em 90% das suas unidades no Brasil


Qua, 25 de Abril de 2012 - Fonte: Ascom Cnasi - A adesão dos servidores do Incra e MDA ao Dia Nacional de Lutas, realizado nesta quarta-feira (25/04), alcançou pouco mais de 90 porcento das unidades avançadas e superintendências regionais da autarquia, bem como das delegacias do ministério.

Piquetes, passeatas, mobilizações e paralisações foram alguns dos tipos de atos públicos que os profissionais do Incra e MDA realizaram ou participaram em todos os cantos do Brasil, sempre em conjunto com servidores de outros órgãos e apoio dos sindicatos locais.

O objetivo do Dia Nacional de Lutas foi pressionar o governo a atender as reivindicações dos servidores públicos federais, em suas pautas gerais (concurso público, GQ e TR, bem como ampliação do valor do auxílio alimentação) e específicas – a exemplo da reestruturação de carreiras e melhoria dos padrões remunerativos.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

03 de abril - Um dia de muitas articulações para ASSEMDA, CNASI e ASSINAGRO

O dia de ontem (03 de abril) foi produtivo em termos de articulações e negociações. Apresentamos nossa pauta conjunta (aumento salarial e concurso público), organizada pela ASSEMDA, CNASI e ASSINAGRO. Pela manhã houve reunião com o Ministro do MDA Pepe Vargas.

Também ontem, pela tarde, houve reuniões com o presidente do CONTAG Alberto Broch e com a Coordenação Nacional do MST (Alexandre Conceição).

Hoje ainda teremos reunião com a coordenadora geral da FETRAF Elisângela Araújo.

Em nossa próxima Assembleia Geral (12/04) daremos um relato detalhado e a avaliação da direção da ASSEMDA sobre o processo de negociação e articulação.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Reforma Agrária parada: governo federal assentou apenas 6 mil famílias em 2011


30 de novembro de 2011 | Por Lúcia Rodrigues | Da Caros Amigos

“A estrutura fundiária do Brasil continua a mesma do período colonial”. A afirmação de Gilmar Mauro, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, não é mera retórica. Está calcada em estudos que comprovam que pouco se avançou em termos de distribuição da terra desde os tempos da Coroa Portuguesa.

O coeficiente de Gini, índice utilizado em pesquisas científicas para medir o grau de desigualdade social, revela que a concentração de terra no país até aumentou, se os dados analisados forem os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Governo propõe Incra mais "enxuto", sem discutir com servidores e movimentos sociais


Mais uma vez o Governo propõe re-estruturação do INCRA e novamente não debate com os servidores e com os movimentos sociais, que o ficam sabendo novamente através da mídia. Um INCRA com menos poder e enxuto. A matéria a seguir tem propostas cujas informações são chanceladas pelo próprio presidente da autarquia Celso de Lacerda.

O artigo abaixo informa que o MST apóia o processo de mudança - o que desconhecemos. Por sua vez, não temos informações sólidas sobre essas mudanças. A nova proposta de "enxugar o Incra" foi colocada pelo governo no sentido de reduzir o "poder da autarquia" - de uma autarquia que nunca teve poder, de fato. Os poucos recursos orçamentários que o Estado lhe atribui não basta sequer para fazer um estoque de terras para a reforma agrária ou com condições para que seu servidores possam trabalhar.

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Governo quer Incra enxuto e com menos poder
Uma das primeiras iniciativas será transferir construção de habitações em assentamentos rurais para o Minha Casa, Minha Vida

Agencia Estado
AE | 02/11/2011 
O governo está costurando aos poucos uma proposta de reforma no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Uma das principais metas do projeto é reduzir o poder da autarquia. Indiretamente, a medida deve provocar o esvaziamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual é vinculado o instituto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

2011, ano perdido para a Reforma Agrária


2011, ano perdido para a Reforma Agrária


Da Página do MST

A presidenta Dilma Rousseff corre o risco de encerrar seu primeiro ano de governo sem ter realizado nenhuma nova desapropriação de terra.

A presidenta recebeu cerca de 90 processos de desapropriações, cujos trâmites técnicos já tinham sido completamente realizados no governo anterior, e bastava apenas a sua assinatura. Todavia, as desapropriações dessas áreas ainda não saíram.

Essa demora adia a criação de novos assentamentos para resolver o problema das famílias acampadas e joga por água a baixo o trabalho do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra), que tornou essas áreas passíveis de serem desapropriadas em um processo que leva de um ano e meio a dois anos.

“Temos mais um ano perdido para a Reforma Agrária. A lentidão para o assentamento das famílias acampadas e para a execução de políticas para fortalecer os assentamentos é uma vergonha para um governo que tem como meta acabar com a pobreza no Brasil. Sem Reforma Agrária, superar a pobreza não passa de propaganda”, avalia Marina dos Santos, da Coordenação Nacional do MST.
Investimentos

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Florence vira ‘Rainha da Inglaterra’ em ministério, diz jornal

Florence vira ‘Rainha da Inglaterra’ em ministério, diz jornal

Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo desta segunda-feira (19) afirma que o ministro do Desenvolvimento Agrário, o baiano Afonso Florence, sofre com a falta de experiência com a pasta e seria alijado das decisões na área. “Vai se transformando aos poucos em ministro fantasma, espécie de rainha da Inglaterra, coroada, mas sem poder”, destaca a publicação. Consultados pelo jornal, integrantes da cúpula do Movimento dos Sem Terra (MST) revelaram que em reuniões costumam ler, em tom sarcástico, trechos de uma entrevista dele à revista Carta Capital, na qual demonstra falta de conhecimento sobre assuntos como assentamentos, regularização de terras de quilombolas e financiamento da agricultura familiar. Quem teria assumido a função de interlocutor entre o movimento social e o governo foi o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Foi ele, por exemplo, quem anunciou publicamente a liberação de mais R$ 400 milhões dos cofres públicos para obtenção de terras para a reforma. Em outra ocasião, em uma reunião entre ministros com a presidente Dilma Rousseff, Florence teria sido interrompido pela mandatária por ter apresentado dados errados.

'Verde'' em questões agrárias, ministro é escanteado pelo governo em sua área

Afonso Florence, formado em história, assumiu pasta do Desenvolvimento Agrário sem experiência na área, graças a loteamento de cargos entre diferentes tendências petistas; presidente do Incra é interlocutor do Executivo em negociações técnicas

19 de setembro de 2011 | 0h 00
Roldão Arruda - O Estado de S.Paulo
A perda de ministros em série e com velocidade inédita não é o único problema da presidente Dilma Rousseff com sua equipe de governo. Entre os que ficam, ela tem convivido com titulares ministeriais que, passados nove meses no cargo, ainda não entendem muito bem dos assuntos de sua pasta.
Alijado. Afonso Florence não participa de
negociações com o MST e ficou de fora do núcleo do programa Brasil Sem
Miséria  - Andre Dusek/AE-3/1/2011
Alijado. Afonso Florence não participa de negociações com o MST e ficou de fora do núcleo do programa Brasil Sem Miséria
Um dos casos mais notórios é o de Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário. Citado nas rodas do poder como alguém que "não é do ramo", ele enfrenta tanta dificuldade para saber do que trata sua pasta que vem sendo alijado das decisões na área. Vai se transformando aos poucos em ministro fantasma, espécie de rainha da Inglaterra, coroada, mas sem poder.
O cargo mais importante que Florence ocupou antes de ser ministro foi o de secretário do Desenvolvimento Urbano da Bahia, no primeiro governo de Jacques Wagner (PT). Pode-se dizer que é um caso raro, no processo de urbanização galopante do País, de alguém que migrou da cidade para o campo.
Sinais de desconforto com Florence - que é formado em história - podem ser observados por toda parte. O Movimento dos Sem Terra (MST), cuja bandeira principal, a defesa da reforma agrária, é intimamente atrelada à pasta do ministro, o ignora.
Consultados pelo Estado, integrantes da cúpula da organização demonstraram dificuldade para acertar o nome do ministro. Em reuniões políticas da militância, costumam ler, em tom sarcástico, trechos de uma entrevista dele à revista Carta Capital, na qual demonstra falta de conhecimento sobre assuntos que constituem o "feijão com arroz" da pasta, como assentamentos, regularização de terras de quilombolas e financiamento da agricultura familiar.
Segundo plano. Desde a ascensão de Dilma, o interlocutor absoluto do governo com o MST é o titular da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ministro sem orçamento e sem estrutura operacional, mas influente.
Quando o debate desce a detalhes técnicos, chama-se o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa Lacerda, engenheiro agrônomo que fez carreira na instituição e é respeitado por ser do ramo.
Em agosto, durante a onda de protestos que o MST promoveu pelo País, com ocupações de edifícios públicos, foi Carvalho quem tomou as rédeas das negociações. Também coube a ele anunciar publicamente a liberação de mais R$ 400 milhões dos cofres públicos para obtenção de terras para a reforma.
A participação de Florence no episódio foi insignificante e quase desastrada. Durante uma reunião de um grupo de ministros, para analisar a questão das dívidas de assentados, foi interrompido por Dilma quando falava sobre o tema. Demonstrando estar melhor preparada para o encontro, a chefe disse ao subordinado que os números citados por ele não batiam com o relatório que ela tinha recebido.
Loteamento político. Último nome a ser anunciado na montagem do ministério de Dilma, em dezembro do ano passado, Florence não foi escolhido pela presidente. Chegou lá em decorrência do loteamento de cargos entre as diferentes tendências políticas do PT.
Desde o primeiro mandato de Lula, o Desenvolvimento Agrário faz parte da cota destinada à tendência Democracia Socialista. Os dois gaúchos que dirigiram a pasta, o cientista social Miguel Rossetto (hoje na presidência da Petrobrás Biocombustível), e o engenheiro civil Guilherme Cassel (atual diretor de crédito do banco gaúcho Banrisul) são militantes da tendência.
O mesmo critério foi imposto a Dilma, acrescido de outra exigência, originária de governadores petistas e da base aliada do Nordeste: o escolhido teria de ser nordestino. A presidente ainda tentou, dentro desses limites, garimpar um nome com perfil técnico, mas, na última hora, engoliu o do urbanista baiano, cacifado por Wagner.
Estudo. Desde a posse, Florence tem sido tolerado no poder. Uma demonstração disso foi o fato de ter ficado praticamente à parte nos debates que deram origem ao Brasil Sem Miséria, plano do qual o seu ministério é um dos executores.
Florence já admitiu que tem estudado muito para superar as dificuldade que enfrenta. Impacientes, seus críticos dizem que os resultados deste esforço ainda não apareceram.
Seu caso não é singular. A petista catarinense Ideli Salvatti também não tinha familiaridade com o mercado de peixes quando foi indicada para a pasta da Pesca.
A sorte de Ideli foi que, passados pouco mais de cinco meses, Dilma tratou de socorrê-la, com a transferência para a Secretaria de Relações Institucionais. Encarregada de fazer a ponte política entre a Presidência e o Congresso, ela passou a se sentir em casa.
Florence não teve a mesma oportunidade. Continua como um peixe fora d"água, embora fiel aos seus padrinhos: de acordo com a agenda divulgada no site do ministério, predominam visitas de representantes de governos do Nordeste e viagens a Estados da região.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estudo aponta que investimentos do MDA andam em passos de tartaruga

Estudo aponta que investimentos do MDA andam em passos de tartaruga

8 de agosto de 2011

Da Página do MST

A Ong Contas Abertas acaba de divulgar o balanço das execuções do orçamento referentes aos investimentos do governo federal em 2011 (veja aqui o estudo).

Entre janeiro e julho, o Ministério do Desenvolvimento Agrário executou apenas R$ 256 milhões, o que representa 24,5% do total previsto para o ano.

Ou seja, mais da metade do ano já passou e os gastos do MDA não passaram de 1/4 do orçamento disponível.
Clique aqui para fazer o download da tabela completa

Os investimentos realizados caíram 27% em relação ao mesmo período em 2010, quando o investimento foi de R$ 351 milhões.

Um levantamento inédito produzido a pedido de CartaCapital pelo Instituto Socioeconômico (Inesc), especializado no tema, revelou também que os gastos efetivos com distribuição de terra declinaram no segundo mandato do governo Lula – e continuam a cair nos primeiros meses de Dilma Rousseff. 

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Violência na Amazônia: falta coragem de enfrentar o problema

Violência na Amazônia: falta coragem de enfrentar o problema

2 de junho de 2011
Por Leonardo Sakamoto
Do
Blog do Sakamoto

 O governo federal anunciou ações para evitar novas tragédias na Amazônia, como os assassinatos das lideranças rurais Maria e Zé Cláudio, no Pará, e Adelino Ramos, em Rondônia. Sem medo de estar enganado, e ainda sem o detalhamento exato das ações, tenho a certeza de que – mais um vez – isso não vai dar certo. Intensificar a fiscalização e o controle (como informado ontem) são importantes, mas não terão efeito nenhum se o próprio Estado continuar como cúmplice – por ação ou inação – dessa violência.

Para começar, para que formar uma comissão interministerial para analisar o assunto? Pelo amor de Deus! Qualquer sagui bêbado da floresta sabe a razão de se morrer a bala na região de fronteira agrícola. A violência na Amazônia não é uma doença, mas sim um sintoma. Ou seja, a fiscalização é uma parte importante – mas ameniza, não resolve. É como pegar malária e ficar tratando as dores pelo corpo com aspirina. No caso, estar sofrendo de infecção generalizada e receber um tylenol para aguentar as pontas. Ao mesmo tempo, proteger os ameaçados é importantíssimo e fundamental, mas trata sintomas e não o coração da história.

As mortes no campo são resultado de um modelo de desenvolvimento concentrador, excludente, que privilegia o grande produtor e a monocultura, em decorrência ao pequeno e o médio. Que explora mão-de-obra de uma forma não-contratual, chegando ao limite da escravidão contemporânea, a fim de facilitar a concorrência em cadeias produtivas cada vez mais globalizadas. Que fomenta a grilagem de terras e a especulação fundiária, até porque tem muita gente graúda e de sangue azul que se beneficia com as terras esquentadas e prontas para o uso. Que muito antes da época dos verde-oliva já considerava a região como um “imenso deserto verde” a ser conquistado – como se o pessoal que lá morasse e de lá dependesse fossem meros fantasmas. Que está pouco se importando com o respeito às leis ambientais, porque o país tem que crescer rápido, passando por cima do que for. Tudo com a nossa anuência, uma vez que consumimos os produtos de lá alegres e felizes.

Ou seja, causaria mais impacto de curto prazo se o governo aplicasse mais regras para o financiamento da cadeia de produção e transformação agropecuária na Amazônia, com mais condicionantes duras, e revisse seus grandes projetos de produção de energia elétrica – eles próprios indutores de problemas sociais graves nas regiões em que são instalados.

Agora, como o governo planeja mudar radicalmente tudo isso se não consegue nem orientar sua bancada a votar contra as mudanças no Código Florestal e a anistia aos desmatadores? Ou não consegue influenciar na aprovação da proposta de emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras flagradas com escravos e que está parada há sete anos na Câmara por ação da bancada ruralista?

A verdade é que a violência na Amazônia não é uma questão do bem contra o mal para ficar sendo tratada como conto de fadas. É uma questão econômica. Tem gente que ganha muito dinheiro e, se a roda começar a girar para o outro lado, vai perder dindim. Para quebrar esse sistema, é necessário reinventar muitas práticas e sacudir o modelo. O governo federal não irá fazer isso de forma profunda nem que vaca tussa, pois é em cima dos representantes políticos das pessoas que ganham diretamente com isso que este e todos os governos que vieram antes estão assentados. Não estou pedindo aqui uma revolução socialista (alô, comentaristas deste blog, como diria Nelson Rodrigues: Cresçam!) Estou falando de regras do jogo e do respeito a elas – o que é bem capitalista, diga-se de passagem.

E a História vai se repetindo como tragédia. Na década de 80 e 90, fazendeiros resolveram acabar com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Sul do Pará, um dos mais atuantes na região, e assassinaram uma série de lideranças. De acordo com frei Henri des Roziers, então advogado da Comissão Pastoral da Terra em Xinguara (PA), foi assassinado o primeiro presidente em 1985. “Depois, foi a vez de um dos líderes em 90 e seus dois filhos, que eram do sindicato. Foi assassinado, em 90, um diretor. E, em 91, mataram seu sucessor dele, além de outros que foram baleados. Passei da região do Bico-do-Papagaio para aqui a fim de ajudar na apuração desses crimes.” Os casos foram a julgamentos, houve condenações, mas os pistoleiros fugiram. Henri, foi, ele mesmo, um dos marcados para morrer no Pará e viveu sob escolta policial 24 horas por dia.

O Massacre de Eldorado dos Carajás, no Sul do Pará, que matou 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos após uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, completou 15 anos no dia 17 de abril. A rodovia estava ocupada por uma marcha do MST que se dirigia à Marabá para exigir a desapropriação de uma fazenda, área improdutiva que hoje abriga o assentamento 17 de Abril. Os responsáveis políticos pelo massacre, o governador Almir Gabriel e o secretário de Segurança Pública, Paulo Câmara, não foram nem indiciados. Quantos aos executores, há um longo caminho até que a Justiça seja feita.

Em fevereiro de 2005, a missionária Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros – um deles na nuca – aos 73 anos. Ela foi alvejada numa estrada vicinal de Anapu (PA). Ligada à Comissão Pastoral da Terra, Dorothy fazia parte da Congregação de Notre Dame de Namur, da Igreja Católica. Naturalizada brasileira, atuava no país desde 1966 e defendia os Programas de Desenvolvimento Sustentável como modelo de reforma agrária na Amazônia. Dois dos fazendeiros acusados de serem o mandante chegaram a ser julgados e condenados, mas um está recorrendo em liberdade.

Você já deve ter ouvido falar de Chico Mendes, Dorothy Stang, os 19 de Eldorado dos Carajás e agora de Zé Cláudio e Maria. Mas e de Pedro Alcântara de Souza, um dos líderes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Pará ,que foi assassinado com cinco tiros na cabeça em Redenção, Sul do Estado (67 mil pessoas, 162 mil cabeças de gado, quase 30% de adultos analfabetos, cerca de 40% de pobres) no ano passado? Ex-vereador, ele era um dos marcados para morrer devido à sua militância pelo direito das populações do campo e foi morto quando andava de bicicleta com a esposa por dois homens em uma motocicleta. A polícia, na época, afirmou que ele pode ter sido executado a mando de fazendeiros da região insatisfeitos.

Praticamente toda a semana, um trabalhador rural, indígena, ribeirinho, quilombola, camponês é morto na Amazônia. Alguns são mais conhecidos e ganham mídia nacional e internacional, mas a esmagadora maioria passa como anônimos e são velados apenas por seus companheiros. Além da importância de Maria e Zé Cláudio como lideranças, a morte deles ocorreu no dia da votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados, o que contribuiu em dar visibilidade ao crime. E aqueles que morrem em dias de jogos da Copa do Mundo em que não há ninguém prestando atenção?

Na prática, com louváveis exceções como a de juízes com coragem de condenar escravagistas ou de procuradores que não têm dado trégua a quem mata e desmata, a Justiça tem servido para proteger o direito de alguns mais ricos em detrimento dos que nada têm. Mudanças positivas têm acontecido, mas muito pouco diante do notório fracasso até o presente momento. A se confirmar o crime de mando de mais essas mortes na Amazônia, será mais um tento marcado pela barbárie na disputa com a civilização na região.

Há um ano, a CPT entregou ao Ministro da Justiça a relação de 1.546 trabalhadores assassinados em 1.162 ocorrências de conflitos no campo nos últimos 25 anos, de 1985 a 2009. Destas, apenas 88 foram a julgamento, tendo sido condenados somente 69 executores e 20 mandantes. Dos mandantes condenados, dois estavam no xilindró, por coincidência os dois que encomendaram a morte de Dorothy Stang: os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura e Reginaldo Pereira Galvão. Este último, contudo, recebeu da Justiça o direito de recorrer em liberdade.

Não foi o general De Gaulle que disse a famosa frase, mas ela é perfeita: o Brasil não é um país sério. Recebo semanalmente notícias do interior dizendo que alguém foi assassinado por defender um modelo de produção diferente. Se você não respira fundo e tenta reiniciar a CPU no final de cada dia, corre o risco de entrar em uma espiral de banalização de violência. O horror de ontem passa a ser nada diante da bizarrice de hoje, retroalimentado pela impunidade. Afinal, há mais chances de eu ser atingido na rua por um meteoro em chamas do que o Brasil garantir que os seus violadores de direitos humanos sejam sistematicamente responsabilizados e punidos.

Vamos, faça uma experiência: pegue os jornais da época de todos esses assassinatos. Pode ser apenas os dos mais famosos. Verá que é só trocar o nome dos mortos, do município (às vezes, nem isso) e onde foi a emboscada para serem a mesma matéria. As mesmas desculpas do governo, os mesmos planos de ação parecidos, as mesmas reclamações da Comissão Pastoral da Terra, os mesmos grupos sendo criados para debater e encontrar soluções. Jornalistas preguiçosos que não têm criatividade para escrever um texto diferente? Desta vez, não. O que me leva a crer que a banda podre do agronegócio nacional (e internacional), além de governos federal e estaduais, bem poderiam também serem processados por repetidos plágios da realidade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Com discreto aval do Planalto, Contag avança sobre base da CNA

Mauro Zanatta de Brasília para o Valor Econômico

As relações sindicais no campo estão prestes a mudar. Um projeto de lei, que depende apenas de um pedido de urgência para ser levado ao plenário da Câmara, altera o enquadramento de mais de meio milhão de filiados para fins de contribuição sindical.

A modificação na Lei Sindical, já aprovada em três comissões da Câmara, abre uma guerra entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). Em jogo, está a disputa por influência política, controle de milhares de pequenos produtores em todo o país e por um cofre recheado pela contribuição obrigatória imposta por lei. Estima-se uma arrecadação superior a R$ 130 milhões no sistema CNA.

O projeto, de autoria do deputado Assis do Couto (PT-PR), aumenta, de dois para quatro módulos, o tamanho da propriedade ligada à Contag. Cada módulo tem entre 20 hectares no Sul e 400 hectares na Amazônia. Dessa forma, a CNA perderia algo como um terço de sua arrecadação, além da representatividade da classe estimada em 1,2 milhão de produtores. E sem nenhuma compensação. Ao contrário, o projeto retira punições hoje impostas pela Lei Sindical. Quem não paga em dia, vai para o cadastro de inadimplentes do governo federal (Cadin), o que bloqueia a concessão de incentivos fiscais e crédito rural ao produtor.

O projeto, patrocinado pela Contag desde 2003, altera o status do pequeno produtor, de categoria econômica para classe profissional. E introduz o conceito de agricultura familiar: mão-de-obra familiar, até quatro módulos fiscais, sem empregados, renda predominante da área, moradia na propriedade ou próxima dela.

O projeto também confere aos 4 mil sindicatos ligados à Contag musculatura para resistir ao avanço de uma concorrente de peso: a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf Brasil), criada em 2004, mas que já tem 500 mil filiados em 600 sindicatos de 18 Estados.

Hoje, todos os produtores com propriedades acima de dois módulos fiscais, e sem empregados, têm que contribuir para a CNA. Cerca de um terço dos filiados da CNA estão entre dois e quatro módulos. A Contag domina a representação até dois módulos fiscais, e sem empregado.

A contribuição sindical rural é feita com base nas chamadas "classes de capital social" ou no 'valor da terra nua tributável". São seis níveis. O primeiro, com valores de até R$ 2,7 mil, paga-se R$ 22. No último nível, acima de R$ 29,5 milhões, o imposto sobe a R$ 10,5 mil. Há valores adicionais para as classes intermediárias - de R$ 33 a R$ 4,5 mil.

Nos bastidores, a briga já esquentou. "Está em jogo a base do sistema sindical brasileiro. O projeto quer ter a representação em um só sindicato ou confederação", diz o vice-presidente da CNA, José Ramos Torres de Melo. Para ele, "não faz sentido" uma família, "sozinha" explorar 360 hectares apenas com mão-de-obra familiar. "É uma tentativa de fragilizar o sistema patronal com um critério ideológica sem base na realidade. É uma luta de poder insensata, pouco inteligente, de conceitos subjetivos e aleatórios", diz Melo.

Com apoio da bancada do PT e discreto aval do Palácio do Planalto, a Contag defende o projeto. "A lei é de 1971. A sociedade evoluiu, criou um ministério, uma lei da agricultura familiar. Temos que readequar isso", argumenta o presidente da Contag, Alberto Broch. Ele diz que o conceito de agricultura familiar já prevalece na Previdência, na reforma agrária e nos programas como Pronaf. "Essa é uma prioridade nossa. Tudo evoluiu para a conceituação de até 4 módulos fiscais. Quando trata da representação sindical, esse público de contribuição que está com a CNA é o nosso".

A Contag testará o apoio ao projeto durante o movimento Grito da Terra, marcado para meados de maio. E apresentará sua reivindicação ao governo e no Congresso. Como a pauta é negociada antes disso, certamente haverá um consenso para votar a urgência na Câmara em abril ou início de maio. Para isso, também terá o amparo da recém-criada Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, que reúne 226 deputados e senadores.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Jornada das Mulheres da Via Campesina mobiliza nove estados contra os agrotóxicos

A Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina já mobilizou nove estados denuncia os impactos para a saúde humana e para o ambiente do uso abusivo dos agrotóxicos e aponta a responsabilidade do modelo de produção do agronegócio.

Em todo o Brasil, as camponesas, em conjunto com outros movimentos urbanos, denunciam que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, inclusive de agentes contaminantes totalmente nocivos a saúde humana, animal e vegetal que já foram proibidos em outros países do mundo.

Segundo dados do Sindicato da Indústria de Defesa Agrícola, os estados de Mato Grosso, Paraná e São Paulo são, respectivamente, os maiores consumidores de veneno.

Nesta quarta-feira, aconteceram atividades em três estados: Ceará, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Confira o que aconteceu estado por estado:


No Rio de Janeiro, cerca de 300 mulheres trabalhadoras do campo e da cidade ocuparam a sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no centro da capital carioca. O objetivo da mobilização é denunciar os altos investimentos e empréstimos do BNDES à indústria dos agrotóxicos e às transnacionais da agricultura, que compram e lançam os venenos agrícolas nas lavouras brasileiras.

No Ceará, mais de 1.000 mulheres dos movimentos sociais do Ceará, como o MST, o Movimento dos Conselhos Populares e a Central dos Movimentos Populares, fazem duas marchas para denunciar os impactos negativos para a saúde humana e para o ambiente com uso excessivo de agrotóxicos no Brasil e os impacto.

Em Fortaleza, mais de 600 mulheres marcharam até Palácio da Abolição, do governo do Estado, para denunciar a política de isenção fiscal que beneficia as indústrias de venenos e amplia o consumo de agrotóxicos em todo o estado. Em Santa Quitéria, 500 mulheres protestam contra a instalação da mina de Itataia.

Cerca de 500 mulheres da Via Campesina estão reunidas nesta quarta feira em Curitibanos (SC), no parque de exposição Pouso dos Tropeiros, com o lema, “Contra o agronegócio, em defesa da soberania popular”. O encontro iniciou com uma mística relembrando o porquê do 8 de março ser um dia de luta das mulheres trabalhadoras. No momento em que acontece o encontro, uma comissão está reunida com o governo do estado para reivindicar a pauta.

Na Bahia, 500 trabalhadoras rurais e urbanas realizaram uma caminhada em Vitória da Conquista em frente a Prefeitura e aos Bancos do Nordeste e Brasil para a reivindicação da liberação do Pronaf Mulher, renegociação das dívidas das assentadas e a construção de creches nos assentamentos. Em Petrolina, mais 500 camponesas ocuparam a sede do INSS junto com MPA, MAB, CPT, IRPA, Quilombolas e Pescadoras, para cobrar a implementação dos processos de aposentadoria das trabalhadoras rurais, auxílio doença e o salário maternidade.

Em Eunápolis 1500 mulheres ocuparam a fazenda Cedro pertencente à multinacional Veracel, no município de Eunápolis no dia 28/2. Hoje, as camponesas trancaram a BR 101 por duas horas. As trabalhadoras denunciam a ação do agronegócio no extremo sul da Bahia, com a produção da monocultura de eucaliptos praticada pela Veracel na região de maneira irregular, pois ocupa terras devolutas. Encontros para discutir a agricultura camponesa e sementes crioulas também estão previstos para os dias 05 a 10 de março, envolvendo os municípios de Pindaí, Caetité, Riacho do Santana, Rio do Antônio, Caculé, Brumado.

Em Pernambuco, 800 trabalhadoras rurais ligadas ao MST, ao Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), ao Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT) marcharam na manhã desta terça-feira (1/3) de Petrolina a Juazeiro, trancando a ponte que liga os dois municípios, denunciando a inoperância do Incra da região. No dia 28/2, mais 500 mulheres ocuparam o Incra da cidade de Recife como forma de chamar a atenção para a Reforma Agrária.

No Rio Grande do Sul, cerca de 1.000 mulheres da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Levante da Juventude e Intersindical protestaram no dia 1/3 em frente ao Palácio da Justiça, na Praça da Matriz em Porto Alegre. Elas saíram em marcha do Mercado Público de Porto Alegre até o local. Integrantes vestidas de preto estiveram paradas em frente ao prédio, em silêncio, para lembrar que as mulheres têm sido silenciadas por várias formas de violência. Na mesma cidade, cerca de 1.000 mulheres ocupam o pátio da empresa Braskem, do grupo Odebrecht, no Pólo Petroquímico de Triunfo, região metropolitana de Porto Alegre. A manifestação tem o objetivo de denunciar que o plástico verde, produzido à base de cana-de-açúcar, é tão nocivo e poluidor quanto o plástico fabricado à base de petróleo.

Já em Passo Fundo (RS), 500 mulheres realizaram uma manifestação pública no centro, com atividades de formação no Seminário Nossa Senhora Aparecida.
No Sergipe, cerca de 1000 trabalhadoras rurais do estado estão acampadas na Praça da Bandeira de Aracaju. De 1 a 3 de março, elas participarão de atividades que denunciam os agrotóxicos, o agronegócio, a criminalização dos movimentos sociais e a violência da mulher.

Em Minas Gerais, o Fórum Regional por Reforma Agrária do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ocupou a sede da Fazenda Inhumas, em Uberaba, no sábado (26/2), em ação que envolveu 200 famílias. O evento marca as atividades do 8 de março e discutirá com cerca de 500 mulheres a violência causada pelo agronegócio, as consequências do uso de agrotóxicos e as alternativas para transformação do modelo discriminatório estabelecido no campo e na cidade.

Em São Paulo, desde o início desta sexta-feira (25/2), várias mulheres do MST, realizam ato de denúncia e reivindicação na frente da Prefeitura de Limeira, próximo da Campinas. No último dia 24/2, cerca de 70 mulheres do MST e da Via Campesina realizaram a ocupação da prefeitura do município de Apiaí, localizado na região Sudoeste de São Paulo para reivindicar o acesso aos direitos básicos como: saúde, educação, moradia, transporte e saneamento básico, que vendo sendo negados pelo município às famílias acampadas.

Contato com a imprensa
Mayra Lima (DF) - 61-9684-6534
Igor Felippe (SP)- 11-9690-3614

Mulheres do MST ocupam terras da Multinacional Veracel em Eunápolis

Mais de 1.500 mulheres integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocuparam por volta das 05:00h da madrugada desta segunda feira, 28 de fevereiro de 2011, a fazenda pertencente a empresa Veracel Celulose que fica localizada a oito (8 Km) do centro de Eunápolis, numa área conhecida como região da Roça do Povo.

De acordo com as Líderes do movimento, a ocupação sistemática das mulheres militantes do MST na área da Veracel, faz parte do calendário das comemorações do dia 08 de março, Dia Internacional das Mulheres, informaram também que outras ocupações poderão ser realizadas em outras áreas, no estado da Bahia.
Em entrevista ao portal de notícias VOCEAKI, a dirigente Eliane Oliveira, falou sobre os motivos da ocupação: "Nós mulheres do MST, estamos felizes por realizar esta ocupação, já faz tempo que estamos fazendo esse enfrentamento com o agronegócio na região de Eunápolis e aqui é a veracel. Essa é a primeira ocupação que nós mulheres fazemos no estado da Bahia e amanhã é o dia 1º de março, o mês que se comemora o dia Internacional das Mulheres, quem sabe, a nossa presidente Dilma, se sensibilize e coloque em pauta a reforma agrária que até o momento, ela nao se pronunciou sobre essa questão social. Estamos reivindicando: Projetos para as Mulheres, Políticas Públicas para as Mulheres, Reforma Agrária para assentar 4.500 famílias acampadas na Regional Extremo Sul. Entendemos que se o governo federal e estadual quiserem, a reforma agrária acontecerá. Nós queremos que o governo analise e veja de que forma vai assentar essas famílias, enquanto isso, o agronegócio cresce na região", desabafou a militante.

Lucinéia que também é uma das líderes da ocupação, disse à nossa Reportagem: "Estamos ocupando esta área porque faz parte da jornada de luta do MST Nacional, em abertura das comemorrações do dia Internacional da Mulher. A veracel é a simbologia do agronegócio na região, que concentra terras, que planta em monocultivo, que não distribui rendas e portanto nao muda a vida das pessoas. Há mais de 11 anos estávamos fazendo acampamentos temáticos em Salvador, realizando seminários para debater as questões que nos afligem no nosso cotidiano, agora resolvemos fazer acampamentos no extremo sul da Bahia. Estamos fazendo esta ação, ocupando uma área de um latifúndio do agronegócio, para questionar com legitimidade, quais as metas e prioridades do governo Dilma para a reforma agrária. Estamos reivindicando as terras concentradas no poderio do agronegócio, para serem distribuidas ao agricultores, aos trabalhadores e trabalhadoras, queremos dignidade, onde contemple a saúde, a educação, uma qualidade de vida melhor para nossas famílias, portanto, queremos a reforma agrária já", explicou ela.

As militantes do MST armaram tendas e barracas, como acontece em outros acampamentos, estavam portando facões, foices, enxadas e já iniciaram uma plantação de feijão e milho. Foi improvisado no local barracões para servirem de escola para as crianças, visto que no grupo existem dezenas de alunos e professores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

A discussão em torno da participação das mulheres Sem Terra na luta por Reforma Agrária e pelo fim da discriminação, vem desde o começo do MST. A própria forma de organização do Movimento leva essas mulheres a buscarem a superação das desigualdades, tanto econômica como de participação no MST. Todos os anos no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as mulheres do MST colocam em pauta suas reivindicações.

Já faz alguns anos que está sendo feito esse debate para transformar o 8 de março em um dia de luta das mulheres no MST, essa data foi se tornando um dia de valorização da beleza, do comércio e da confraternização.

Evanildo Costa, Coordenador regional do MST, comentou sobre a ocupação das mulheres na área da Veracel: "Esta ação foi amplamente composto por mulheres do movimento, que além de participarem das lutas do cotidiano,  têm o foco nas garantias dos seus direitos e de suas familias. Foi um ato grande, ato de tantos outros organizados e executados pelas mulheres sem terras", finalizou Evanildo.

Compareceram ao local da ocupação, os Dirigentes do MST, Paulo César, o PC, Luciano, Preto, Evanildo Costa e Márcio Matos, o Marcinho da Direção Nacional do Movimento.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natal com crianças acampadas é demonstração de nossa solidariedade enquanto classe

No dia 16 de dezembro de 2010 servidores públicos federais do INCRA, MDA, Ministério das Cidades, MEC, MMA, IPEA e Câmara dos Deputados, além de estudantes da UNB, participaram da confraternização de natal com os acampados da Reforma Agrária, no "Graziela Alves", acampamento localizado em Brazlândia/Distrito Federal.

Participaram da atividade aproximadamente 250 pessoas, entre crianças e adultos do movimento, servidores públicos, aposentados, terceirizados, professores, estudantes da UNB e pessoas apoiadoras da Reforma Agrária.

Foi com muita alegria e felicidade que começou a atividade, com uma mística organizada pelas crianças Sem Terrinha, cantando em defesa das florestas e em homenagem aos lutadores e lutadoras que dedicaram suas vidas na luta pela terra no Brasil.

Após este ato de acolhida o mamulengueiro Carlos Machado entrou em cena provocando a todos presentes grande diversão através de uma linguagem popular, com bonecos e histórias que alimentam a luta desse povo e animou o Natal da companheirada.

Debaixo desta imensa tenda branca, montada pelos próprios acampados aconteceu a entrega dos brinquedos pelo Papai e Mamãe Noel. A atividade se encerrou com um lanche preparado pelas mães e pais do "Graziela Alves" e "Gabriela Monteiro".

Segundo Paola Pereira, integrante da coordenação estadual do MST "a presença dos companheiros e companheiras que trabalham na cidade para ajudar nas políticas de desenvolvimento do campo, hoje aqui confraternizando conosco nos mostram que a solidariedade anima a vida das crianças, com a campanha de doação de brinquedos e nos ensina que não estamos sozinhos na luta pela reforma agrária".

Os brinquedos distribuídos às crianças foram frutos de uma campanha de arrecadação construída pelos servidores, que durou cerca de um mês e arrecadou uma quantidade significativa de brinquedos e roupas para as famílias acampadas.

À classe trabalhadora do campo, que mesmo em precária situação, ousam lutar dia a dia por condições de vida digna e na esperança de um futuro melhor para si e seus filhos, fica o nosso comprometimento de solidariedade para sua luta.

Às entidades parceiras que construíram o evento, e aos servidores e trabalhadores que contribuíram com a campanha, o nosso agradecimento e convite para continuarmos em luta, tanto pela melhoria de nossas condições de trabalho, como também em solidariedade à luta de todos os oprimidos.

A todos nós um Feliz Natal e um Ano Novo 2011 de muitas lutas e conquistas!


ASSERA - Associação dos Servidores da Reforma Agrária/DF; ASSEMDA - Associação dos Servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Associação Milton Santos - Associação dos Servidores do Ministério das Cidades

Fotos: Servidora Marta Rocha - DA